Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

Relembrando...

Catarina Eufémia

Foi a 19 de Maio de 1954, que Catarina Eufémia foi assassinada em terras de Baleizão pelas forças do regime fascista.

Lutava por pão e trabalho e, rapidamente, tornou-se um símbolo da resistência do proletariado rural alentejano à repressão e à exploração do salazarismo e, ao mesmo tempo, um símbolo do combate pela liberdade e da emancipação da mulher portuguesa.

Nos tempos que correm, o exemplo de Catarina Eufémia continua a inspirar homens e mulheres que lutam, ainda, pelo fim da exploração, por uma sociedade mais justa e fraterna.


 

À MEMÓRIA DE CATARINA EUFÉMIA, MILITANTE COMUNISTA ALENTEJANA
António Gervásio

 

Não conheci directamente Catarina Eufémia, mas acompanhei de perto a luta em que ela perdeu a vida. Segui as manobras e as provocações da PIDE e da GNR em torno do seu funeral. Conheci vários seus familiares.

Poucos dias depois deste cruel assassinato fui transferido para o distrito de Beja, como funcionário do Partido Comunista Português, sendo responsável pela organização. Vivi de perto todo esse crime do fascismo, o assassinato de Catarina.

Passaram-se 49 anos. Peço desculpa por repetir a descrição de acontecimentos conhecidos mas, às vezes, é bom relembrar a história.

Foi a 19 de Maio de 1954, no começo das ceifas, numa luta por melhores jornas, nas redondezas de Baleizão, onde o famigerado Carrajola, um tenente da GNR de Beja, num acto de ódio criminoso, assassinou Catarina com uma rajada de metralhadora. Por lutar por melhores jornas!

Os trabalhadores agrícolas de Baleizão estavam em greve, reivindicavam melhores jornas nas ceifas. A GNR tinha a aldeia cercada. Próximo dali, um rancho, arregimentado pelo agrário, «furou» a greve. Catarina e mais 14 companheiras romperam o esquema da GNR e foram ao encontro do grupo que ceifava. Foram interceptadas pelo tenente Carrajola que as questionou, cheio de ódio, sobre o que queriam elas. Catarina respondeu: «Quero pão para matar a fome aos meus filhos!» Em resposta, o criminoso Carrajola disparou uma rajada de metralhadora, matando Catarina...

Este bárbaro crime provocou profunda dor e revolta no País, em particular na região de Beja e na terra baleizoeira. O fascismo matava homens e mulheres por lutarem por Pão e Trabalho, pela Liberdade e pela Democracia.

Uma das fortalezas alentejanas da resistência antifascista, Baleizão, era onde o PCP, na clandestinidade, contava com forte influência e onde as mulheres comunistas tinham uma activa militância na luta revolucionária contra a ditadura salazarista, na luta pela Liberdade.

Há gente que não gosta do PCP e procura negar que Catarina fosse militante do Partido. É necessário dar luta contra essas mentiras. Catarina Eufémia era não só militante, desde 1953, como era também membro do Comité Local de Baleizão do PCP e um dos seus membros mais activos.

 

Catarina Eufémia tornou-se um nome querido e respeitado, não só entre os militantes comunistas mas entre muitos milhares de portugueses e portuguesas. Não é por acaso que, ao longo destes 49 anos, largas centenas de pessoas dos vários cantos do País vão todos os anos, em Maio, ao comício do Partido em homenagem à camponesa de Baleizão.

O nome de Catarina está gravado na longa história do nosso Partido. Catarina é uma mártir da resistência antifascista e um símbolo da coragem na luta sem tréguas contra a ditadura, pelo Pão, pelo Trabalho, pela Liberdade e pela Democracia em Portugal.

Alentejo, 1 de Fevereiro de 2002


* Dirigente do PCP na clandestinidade, nos anos 50, no Alentejo

 

 

A Bandeira Vermelha editou às 19:51

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2 comentários:
De Ibérico a 18 de Maio de 2006 às 19:42
Olhem a versão que escreveram na Wikipédia (só para contrastar): http://pt.wikipedia.org/wiki/Catarina_Euf%C3%A9mia
De Maria a 7 de Junho de 2006 às 13:33
Sei que o meu post não será muito, mesmo nada, direccionado com o artigo que comento, ou talvez até seja... Quero apenas expressar a minha opinião face às recentes reportagem e, consequente, detenção do líder da frente nacional!
Ao observar a reportagem transmitida pela rtp1 na passada noite, chego à conclusão que a liberdade conseguida na revolução de abril está a ser terrivelmente ameaçada... Como é que no séc. XXI ainda se mantêm ideais que atentam contra a liberdade e as diferenças etnicas, que são contra a imigração e que defendem uma europa apenas de europeus(tipo raça pura, como nos animais)?! Mas então, o que pensam estes senhores em relação à colunização?! E sobre os emigrantes portugueses que, ao longo de tantos séculos povoaram diversas áreas geográficas portuguesas?! Até gostava de falar com alguém que me explicasse o que são estes estranhos e ideais nacionalistas... O que mais me amedronta é que partidos que, claramente, defendem estes ideais conseguem ter 9000 eleitores... Parece pouco, mas conhecendo o povo português, vejo que estes ideais falam ao ouvido de muitos portugueses que se revêem neste neo-fascismo... Sinceramente, um grande conselho: MUITO CUIDADO! A liberdade conseguida em 74 não deve ceder lugar à violenta e ultrapassada extrema-direita!

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