Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

- PS e PSD são faces da mesma moeda


 

PS e PSD são faces da mesma moeda



Verdade que a vida mostra e crescentemente se afirma quando PS e PSD se apresentam e agem como faces da mesma moeda.
Uns e outros são o rosto das políticas de direita que continuam a afundar o País. Uns e outros a alternância sem alternativa.
E se há muito tempo assim é, esta realidade tornou-se ainda mais evidente com as recentes políticas de Governo do PS de Sócrates e a sua proposta de Orçamento de Estado para 2006. Orçamento apresentado esta semana no mesmo dia em que se assinalava o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, essa amarga realidade que em Portugal tem uma expressão que só pode envergonhar quem conduziu os destinos governativos do País nos últimos anos.
Um Orçamento que, pelo que já se conhece, vai tornar mais dura e mais dramática a vida e a situação dos cerca de 2 milhões de portugueses, com rendimentos abaixo do limiar da pobreza e crescentemente depauperados também por uma política que tem cavado o maior fosso de desigualdades sociais da Europa.
Um Orçamento que continuará a estender a pobreza e exclusão social a novas camadas da população em resultado do crescimento do desemprego de longa duração, da consecutiva marginalização das minorias étnicas, da exploração desenfreada da mão-de-obra imigrante e da desvalorização dos rendimentos mais baixos do trabalho e das pensões.
É neste país que os 10% mais ricos dispõem de cerca de 30% do rendimento nacional, enquanto que os outros, 10%, os mais pobres, dispõem de, apenas, 2% desse rendimento.
É neste país onde a fortuna pessoal das 10 famílias mais ricas, avaliada em 7.552 milhões de euros, que pesa tanto quanto o rendimento anual de cerca de 2 milhões de pensionistas e reformados do sistema público de segurança social.
É neste país onde o grande patronato maximiza a concentração exponencial de capital pelos baixos salários e, também, por uma política fiscal que beneficia os grandes rendimentos.
É neste país onde mais de um milhão de reformados recebem pensões que oscilam entre os 150 e 200 euros e onde milhares de seres humanos vivem em barracas e habitações degradadas e cerca de um milhão de cidadãos vivem em casas onde não existe água canalizada ou electricidade, esgotos ou instalações sanitárias.
É neste país que, apesar da crise e à sombra da crise, os grandes grupos económicos privados continuam a ter lucros fabulosos. Só no 1.º semestre de 2005, os 4 maiores bancos privados portugueses lucraram 727 milhões de euros e as 500 maiores empresas portuguesas não financeiras, registaram em 2004 uma subida nos lucros líquidos de 42,1%.

Orçamento agrava situação do País

Não é para combater esta realidade que o PS construiu o seu primeiro Orçamento, mas para a perpetuar e aprofundar esta injusta realidade que produz uma sociedade assente neste aberrante e inaceitável modelo de desenvolvimento dual.
Se há conclusão óbvia do que já foi possível avaliar do Orçamento de Estado proposto pelo Governo do PS, é a de que se trata da mais cabal prova de que estamos perante a continuidade das políticas anteriores, que embora derrotadas pelo voto de 20 de Fevereiro, se mantêm agora pela mão do Partido Socialista.
Aliás, se houvesse dúvidas, bastaria ver a dificuldade do PSD em encontrar justificações para um voto contrário, tal é a similitude das opções actuais com as que praticou no passado.
Este é um Orçamento que continua a obsessão com o défice das contas públicas e os ditames da política monetarista da União Europeia. É um orçamento que sacrifica o crescimento económico, o emprego e o desenvolvimento ao sacrossanto défice. Que, mesmo acreditando no crescimento que o Governo prevê para a nossa economia – 1,1% – isso corresponderá a mais um ano de divergência e de afastamento da União Europeia, que vai crescer 1,8%.
Com este Orçamento e a sua política, o desemprego vai aumentar, mesmo nas previsões do Governo, atirando para o baú do esquecimento os 150 mil postos de trabalho que José Sócrates prometeu na campanha eleitoral.
É um Orçamento que vai continuar a contribuir para a estagnação e o fraco crescimento da economia, designadamente através de mais um brutal corte no investimento público.
É um Orçamento que vai continuar a penalizar os salários, já que se prevê uma nova diminuição real dos salários da administração pública, e sabemos como isso serve de referência para o patronato no sector privado.
É um Orçamento que continua a cortar de forma cega na despesa pública com graves consequências no funcionamento de serviços públicos fundamentais.
No que toca a privatizações é que o PS não se limita a manter a política anterior.
O Orçamento que o PS propõe multiplica por quatro o volume das privatizações do ano corrente. Aí estão as perspectivas de privatização do sector da energia (Galp, EDP), do papel, dos transportes e das comunicações; aí está também a continuação da linha de entrega de novos hospitais aos privados e também, embora de forma disfarçada, a intenção de privatizar a gestão da água, negócio há muito em preparação e a que a Lei da água recentemente aprovada pelo PS abre portas.
Novamente se fazem previsões sem demonstração convincente do aumento das exportações, sobretudo quando o Governo nada faz para defender o nosso aparelho produtivo. Mais uma vez se empola a expectativa de receitas fiscais sem sustentação nas medidas propostas.
E bem se percebe por que não quis o Governo divulgar os principais dados do Orçamento antes das autárquicas, já que não vai cumprir a lei das finanças locais, nem a lei de bases da segurança social nas transferências para o seu fundo de capitalização para garantir as reformas no futuro e poupa na saúde à custa dos utentes e da qualidade dos serviços.
Este é o Orçamento em que, no plano fiscal, se mantém uma incidência fundamental, até na actividade de combate à fraude, nos rendimentos do trabalho, ao mesmo tempo que se mantêm os escandalosos benefícios fiscais à banca e ao sector financeiro.
José Sócrates afirmou que este é um Orçamento «sem truques». Mas o truque maior não está nas contas do Orçamento, está na definição invertida das prioridades da política económica e financeira.
O truque que faz do combate ao défice das contas públicas a da sua justificação o pretexto para transferir para as costas dos trabalhadores e do povo os sacrifícios e o peso das dificuldades. É esse o verdadeiro truque alimentado também pelos novos gurus do pensamento económico neoliberal e da ortodoxia monetarista com assento privilegiado em tudo que é debate na televisão.
O truque que quer fazer crer que fosse qual fosse o Governo, eram estas as medidas no Orçamento que tinham que ser tomadas. É este o truque que se restringe a uma única saída – as mesmas de sempre e contra os mesmos de sempre.

Orçamento agrava situação do País

É preciso dizer e o PCP afirma com clareza que há outras alternativas para a diminuição das despesas que não sejam a de impor pelo quinto ano consecutivo a diminuição dos salários dos trabalhadores da função pública.
Só se vê a despesa para conter e limitar os salários dos trabalhadores, mas não se olha para as mordomias, para os cartões de crédito, para os bólides, para os que ganham mais que o Presidente da República. Para os enormes gastos com pareceres dos gabinetes dos advogados e dos consultores amigos. Não se olha para os alçapões da Lei e para práticas que permitem o pagamento dos impostos do IRC a preço de saldo à banca. Não se olha para o escandaloso volume de trabalhos a mais nas obras públicas, mecanismo que suga milhões e milhões ao erário público, como é exemplo o caso das obras do aeroporto Sá Carneiro, trazido a público pelo patrão dos patrões do Norte – Ludgero Marques.
Obra orçada inicialmente em 30 milhões de euros, mas que depressa saltou para 300 milhões. Sim, ouviram bem, de 30 milhões para 300 milhões!

Toda a solidariedade a quem luta

Quero daqui saudar todos aqueles que atingidos nos seus interesses e vendo uma política que compromete o futuro do País, usam os seus direitos, os direitos que a Constituição da República Portuguesa lhes consagra.
Aqueles que manifestam a sua opinião, o seu descontentamento, o seu protesto, a todos os que não se resignam e lutam contra o que acham injusto e por um futuro melhor para si e para o país.
Aqueles que são ofendidos na sua dignidade, como os militares, os profissionais das forças de segurança, os juízes, magistrados e demais trabalhadores da justiça, os professores e outros trabalhadores da educação, os enfermeiros, médicos e demais profissionais da saúde, os trabalhadores da administração pública em geral e da administração local, chamados de privilegiados pelos verdadeiros privilegiados do capital financeiro e dos seus arautos e propagandistas, damos a nossa palavra de solidariedade e apoio.
Aqueles trabalhadores dos mais diversos sectores de actividade que vêm os seus salários, direitos, condições de vida e de trabalho postos em causa, aos desempregados, aos jovens, às pessoas portadoras de deficiência, aos reformados e pensionistas o nosso apoio às suas causas e às suas lutas.
Aos quadros técnicos, aos investigadores e cientistas, aos homens e mulheres da cultura a nosso exigência para que sejam criadas condições mais favoráveis à sua actividade o nosso apoio às suas acções e lutas.
A todos o nosso reconhecimento pelo seu trabalho, pela contribuição que deram e dão para o País, a nossa rejeição pelos insultos de que são alvo por parte daqueles que vivem da especulação bolsista, que acumulam lucros e fortunas numa ambição sem limites.
A nossa solidariedade e apoio aqueles que exercendo direitos democráticos, lutam em defesa dos seus interesses, pela defesa de condições de vida e de trabalho, contra uma política anti-social e antinacional e que resistindo e lutando estão a dar um importante contributo para a construção de um futuro diferente e melhor para Portugal.
Aos que no Governo receiam e condenam essa luta, nós lembramos que só houve liberdade, progresso, mais justiça social e democracia quando os trabalhadores e o povo lutaram.
 

A Bandeira Vermelha editou às 16:02

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5 comentários:
De Anónimo a 5 de Novembro de 2005 às 03:28
Neste momento o PCP é o unico partido relevante de esquerda. Que jeronimo continue a defender o povo e os trabalhadores com a mesma garra que tem mostrado.Vince
(http://www.resistenciaaoutil.blogspot.com/)
(mailto:invalido@ilusao.pt)
De Anónimo a 4 de Novembro de 2005 às 23:26
Caro A. Gomes,
Sabe que eu costumo dizer que a unica diferença entre o PS e o PSD está apenas no D...
Finalmente alguém que se expressa como eu.A Bandeira Vermelha
(http://este)
(mailto:vermelha@sapo.pt)
De Anónimo a 4 de Novembro de 2005 às 15:04
Quanto ao PSD ou PS, ou CDS, o que lhes importa é somente tratar dos seus interesses próprios, meter a gentes dele em tachos, ou a ganhar ordenados xurudos.
Podemos ver até que ponto o dinheiro movimenta tudo e todos, se não vejam os enormes cartazes afixados nas nossas terras, quem paga esses exageros??

Como podemos ver agora nas presidenciais um senhor que já tinha idade para Ter Juízo devia era ficar em casa a descansar pois ele já não tem “pedalada” para fazer uma simples viagem.
L.M o observador
(http://luismiguel.blogs.sapo.pt)
(mailto:luismiguel.a@sapo.pt)
De Anónimo a 4 de Novembro de 2005 às 00:09
Quanto ao PS e PSD´, podemos dizer que a diferença entre eles é só que, "um" tem "D" e o "outro", não... acrescentando a isto que o PPD,trocou as voltas aos "tais" ganhando-lhe,por antecipação, o "D" no nome. Quanto ao resto, eles só não se unem por "vergonha" e porque há muitos galos para um só poleiro.
Queria tecer um pequeno comentário (e passe a redundãcia) ao comentário anterior. Não é verdade que tem de haver "joio" para que possa haver escolhas. O "joio" não é uma escolha, é uma erva daninha do trigo que se "monda" para que o trigo possa crescer forte. A.Gomes
</a>
(mailto:correio2051@hotmail.com)
De Anónimo a 1 de Novembro de 2005 às 17:32
Haja esperança que o povo, apesar deste apelo eloquente, distinga o trigo do joio. Haja pão mas também haja joio pois os homens necessitam de liberdade e de escolhas. Sal de Portugal http://www.sal-portugal.blogspot.com/
JAC
(http://www.sal-portugal.blogspot.com/)
(mailto:sal.de.portugal@gmail.com)

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