Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006

Resultado eleitoral

Estivemos com Jerónimo e continuamos com ele e com o PCP
 

Uma parte considerativa do povo português não se sentiu motivado para ir votar, na minha modesta opinião foi a abstenção que possibilitou que Cavaco conseguisse ganhar à primeira volta, não esquecendo claro que a teimosia de Sócrates em apoiar Soares dividiu o eleitorado do PS.

Resumindo uma soma de vários factores possibilitaram que pela primeira vez na democracia portuguesa tivéssemos um presidente declaradamente de direita.

Porém como comunistas temos a alegria de constatar que o nosso eleitorado se mantém fiel e que muitos portugueses não comunistas votaram Jerónimo de Sousa.

Camarada Jerónimo PARABÉNS  pela belíssima campanha, estaremos sempre unidos nas metas que o PCP se propuser.

A luta continua, viva o PCP, viva Portugal
 

A Bandeira Vermelha editou às 22:16

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Declaração de Jerónimo de Sousa

Declaração de Jerónimo de Sousa,
sobre as Eleições Presidênciais 2006
22 de Janeiro de 2006

 


1. As eleições Presidenciais que hoje ocorreram ficam marcadas por dois elementos: a eleição de Cavaco Silva e uma grande votação obtida pela minha candidatura que, independentemente do desfecho final, constitui um estímulo para a afirmação do projecto que a norteou e uma garantia de que prosseguirá com confiança e determinação o combate por um Portugal com futuro.
2. A eleição de Cavaco Silva à primeira volta marca negativamente o resultado da presente eleição para a Presidência da República. Há entretanto que notar o facto de este resultado se ter verificado por uma pequena margem de votos bem distante das coroações antecipadas que alguns lhe vaticinavam. Um resultado que revela (como repetidamente afirmámos) pela escassa margem verificada, ter estado ao alcance dos que a ele se opunham impor-lhe a derrota que o seu projecto exigia, se tivesse existido em outras forças políticas, o empenhamento com que a minha candidatura travou esta batalha.
3. Suportada numa campanha ao serviço da qual se concentraram os mais poderosos meios económicos, beneficiando de apoios e simpatias indisfarçáveis dos principais grupos de comunicação social e projectada para branquear o passado do candidato e esconder os seus projectos e ambições para o futuro, a direita logrou, trinta anos volvidos sobre o 25 de Abril, apoderar-se deste órgão de soberania. Num quadro em que sem hesitações e com determinação a minha candidatura alertou para os riscos e consequências da vitória do candidato da direita e, com clareza, ergueu o objectivo de o impedir, não é possível deixar de chamar a atenção para o conjunto de factores que favoreceram a eleição de Cavaco Silva. Na verdade Cavaco Silva beneficiou (para além dos poderosos meios e facilidades) das hesitações, atitudes e posicionamentos do PS, e do seu Governo, que desde a primeira hora contribuíram para ampliar as possibilidades eleitorais de Cavaco Silva. As hesitações e ambiguidades que marcaram desde sempre a posição do PS, a notória falta de empenhamento posta na campanha associada ao baixar de braços e à resignação patenteada pela direcção do PS perante as exigências deste combate político jogaram a favor do desfecho final destas eleições. Ao que se associou ainda, e não com menor peso, o aumento do descontentamento social que o prosseguimento da política de direita do Governo de Sócrates e a multiplicação de decisões anti-populares (algumas das quais tomadas durante o período eleitoral) legitimamente gerou e do qual Cavaco Silva soube, hipocritamente, reverter a seu favor.
4. Ao contrário do que alguns, para iludir as suas responsabilidades, sustentam, uma das vantagens de que Cavaco beneficiou residiu, não na existência de mais do que um candidato à sua esquerda, mas sim, nas divisões, desmobilização e rendição antecipada que o PS protagonizou, bem patente na simples leitura dos resultados eleitorais.
5. Com a vitória de Cavaco Silva não foi o país que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita e as condições para ser prosseguida. Com a vitória de Cavaco Silva é, não Abril e a Constituição que saem defendidos e reforçados, mas sim, a aspiração à liquidação de direitos e ao apagamento de importantes conquistas de Abril que os sectores mais reaccionários do capital nacional há muito formulam. Como repetidamente prevenimos a eleição de Cavaco Silva introduz factores negativos no actual quadro político e social, não deixará de animar os sectores mais reaccionários e revanchistas da direita e do grande capital e o seu desejo de voragem dos recursos e da riqueza nacional, torna mais exigente e complexa a luta por uma ruptura democrática e de esquerda com a política de direita.
6. O resultado obtido pela minha candidatura — mais de 8,5%, muito acima das últimas eleições presidenciais, representa um importante avanço se comparado com o resultado obtido pela CDU nas Legislativas de 2005, aproximando-se do meio milhão de votos e traduzindo-se em significativas vitórias de que são exemplo o Distrito de Beja e numerosos concelhos — constitui, apesar e sem prejuízo do desfecho negativo que a eleição de Cavaco traduz, um importante sucesso eleitoral e um factor de ânimo para os que não se conformam com a política de direita e acreditam que não só é necessário como é possível uma alternativa e uma política de esquerda que reponha a esperança num Portugal melhor e com futuro. Este resultado, confirmando a corrente de apoio que acompanhou esta candidatura, é sobretudo um sinal de confiança de muitos milhares de portugueses e portuguesas que não se resignando perante as injustiças e as desigualdades acreditam que é possível um novo rumo para o país. A todos eles, aos trabalhadores e ao povo português, quero aqui reafirmar a inabalável determinação de honrar o apoio recebido e de prosseguir o trabalho e a luta em defesa dos direitos e conquistas sociais, pela melhoria das condições de vida, por uma viragem democrática e de esquerda na vida política nacional.
7. A minha candidatura em redor da qual se criou e ampliou uma larga corrente de apoio confirmou-se ao longo desta campanha como uma referência de esperança num Portugal com futuro. Uma candidatura que mais do que expressão de um só homem é construção colectiva de milhares de homens e mulheres, jovens e menos jovens, unidos pela força dos valores que defendem e pela enorme confiança no futuro do país que é seu. Ultrapassando as fronteiras das forças políticas que lhe deram suporte e apoio (o PCP, o PEV e a ID), esta candidatura — em torno da qual se reuniram, no apoio e no incentivo à sua intervenção, milhares de homens e mulheres sem partido ou com outras opções políticas — constituiu uma expressão de confiança e de determinação numa vida melhor que perdurará para além deste dia e destas eleições.
8. Daqui, quero saudar todos quantos – comunistas, verdes, independentes, apoiantes doutras forças – com a sua acção, o seu apoio, a sua palavra de simpatia ou incentivo deram força a esta candidatura e aos valores de Abril que comporta; todos quantos reconheceram nesta candidatura uma clara opção pelo lado dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, dos reformados, dos mais injustiçados; todos quantos com o seu apoio e o seu voto elevaram mais alto a exigência de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita que tantas dificuldades têm lançado sobre o povo e o país. A todos eles, aos trabalhadores e ao povo português quero reafirmar que o seu apoio e os seus votos encontrarão em mim e no projecto colectivo pelo qual luto – hoje, amanhã e sempre – uma presença activa na defesa dos seus direitos e das suas aspirações a uma vida melhor.

extraido de:Jerónimo de Sousa - Eleições Presidenciais 2006

A Bandeira Vermelha editou às 20:45

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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006

Domingo vamos votar Jerónimo

Um voto com toda a confiança,
Jerónimo!

A campanha chega ao fim e no domingo vamos a votos, com toda a confiança num bom resultado que contribua decisivamente para a derrota do candidato da direita. A mensagem do candidato comunista, apesar das tentativas de apagamento por parte da comunicação ao serviço do capital, tocou fundo, por toda a parte, no coração e na razão dos trabalhadores e do povo.

A Bandeira Vermelha editou às 23:27

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Domingo, 15 de Janeiro de 2006

Até á vitória final






A Bandeira Vermelha editou às 19:00

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Tolo calado, passa por inteligente



Cavaco Silva: o candidato silencioso

O povo português tem muitas qualidades e alguns defeitos, entre os quais uma tendência de fazer de avestruz quando surgem graves problemas, ou recusando-se a enfrentá-los ou então virando ao mundo quixotesco do Sebastianismo esperando por um salvador místico que nunca aparecerá.

Tal como Dom Sebastião apodreceu algures em Marrocos e respondeu às expectativas dos portugueses, então subjugados contrariados ao trono de Espanha, com uma muralha de silêncio, agora, passados precisamente 425 anos, o candidato Aníbal Cavaco Silva faz a mesma coisa.

Qual é sua política ou visão para Portugal? O povo português dirá. Qual é sua posição perante a CPLP? Não tem. Quando era Primeiro Ministro entre 1985 e 1995, Aníbal Silva era conhecido por entrar em reuniões silencioso e sair calado. Pertence à escola que defende que se o aluno não faz os deveres, não faz erros e por isso está tudo certo.

É um absurdo que um candidato que faça uma campanha eleitoral escondendo-se na penumbra, aparecendo somente nos jantares e almoços pagos, e a preço de ouro para falar com grupos selectos, alguma vez possa pensar em ganhar mas a verdade é que em Portugal hoje, grassa a noção que Cavaco Silva já ganhou, e com maioria absoluta.

Por quê?

Há dez anos atrás, quem queria Aníbal Silva como Presidente? Ninguém. E por quê? Porque as pessoas lembravam como ele era, depois de dez anos de arrogância, prepotência, de carregar contra os interesses dos portugueses e de ter levado o tecido social do país, e do seu partido, à beira da ruptura.

O mesmo pensa que agora pode aparecer, tendo feito uma travessia do deserto, esperando a Deus que ninguém se lembra do Aníbal Silva de 1995, apresentando-se com slogans estranhos como Portugal Maior (o que quer dizer isso?) e Sei que Portugal pode vencer�.

Vale a mesma coisa como dizer que Sei que o Pinilla pode marcar. Ou se arrisca e diz que sabe que Portugal vai vencer, ou então pensa que pode. Mas também de português o candidato Aníbal Silva sabe pouco.

Afinal o quê é que ele sabe? Será que sabe desenhar a bandeira de Portugal, com todos os pormenores? Duvida-se. Saberá portar-se num jantar de gala com outros Chefes de Estado, em que é preciso falar aberta e afavelmente? Duvida-se. Sabe quantos cânticos tem os Lusiadas, a maior peça de literatura portuguesa e um dos melhores do Mundo? Pelo menos não sabia quando era Primeiro Ministro.

Tem coragem? Muita, por isso foi se esconder num bunker debaixo do chão na altura da primeira guerra do Golfo. É modesto? Pouco, passava a vida em grandes comboios de veículos blindados pelo país fora quando o então Presidente, Mário Soares, se sentava ao lado do motorista no lugar do passageiro à frente. Tem tacto? Tanto que até os polícias andaram a bater uns contra os outros duma demonstração pública do caos social que foi Portugal nos anos do Cavaquismo.

Foi competente? Competente? Foi tão competente que teve de fugir do partido dele, atravessando o deserto naquela altura do tabú (se iria ser candidato à Presidência ou não) e foi tão competente que seu partido, o PPD/PSD foi odiado em 1995, razão pelo qual ele não foi eleito nas eleições presidencias de 1996. Foi tão competente que numa altura em que o dinheiro jorrava pelas fronteiras dentro (na década depois da adesão à Comunidade Europeia), deixou o país mal preparado para seguir na senda da Europa.

E a segurança pública? Ah pois! A segurança pública. Quem tirou as polícias das ruas e os colocou em super-esquadras longe das populações porque foi mais económico? Quem foi o pai do monetarismo em Portugal, a obsessão pela linha de fundo das contas?
Quem deixou milhares de pessoas se reformarem precocemente, e quem deixou esta farda para os cofres do estado hoje? Quem deixou a economia portuguesa desequilibrada para o futuro e minado para o governo que iria seguir? A resposta: Aníbal Silva, Aníbal Silva, Aníbal Silva, Aníbal Silva, Aníbal Silva.

Por alguma razão psicológica será que o candidato Aníbal Silva não consegue dizer a palavra progresso. É a mesma razão que o levou a virar primeiro para Jonas Savimbi (para o aperto de mão público tão badalado) e não José Eduardo dos Santos na altura da assinatura do acordo de Bicesse, e foi Jonas Savimbi que teve de sussurrar Primeiro o Presidente porque o candidato Aníbal Silva não tem quaisquer condições para ser eleito Presidente de Portugal.

20:52 2005-12-16
Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru
extraido de :
http://port.pravda.ru/portugal/2005/12/16/9514.html

A Bandeira Vermelha editou às 11:31

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Sábado, 14 de Janeiro de 2006

A Verdade sobre Cavaco


ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS EM PORTUGAL


Fazendo uma volta pelas ruas de Lisboa, se vê confrontado com vários nomes nos cartazes: Mário, Francisco, Jerónimo, António, Manuel...e Cavaco. Se quatro candidatos se apresentam com frontalidade, utilizando seu nome, por quê é que o outro tenta se esconder atrás de um sobrenome supostamente composto por duas palavras, quando seu nome de família é Silva e o nome dado - Aníbal?

De facto, o nome Cavaco Silva é nada mais do que um mito elaborada e inteligentemente construído ao longo destes últimos dez anos, quando esse político (que finge não o ser) se viu fora do poder ao qual ele se tinha habituado. Qual será esse mito e qual a verdade atrás do nome Cavaco Silva?

Primeiro de tudo, há que admitir que o candidato Aníbal Silva é admiravelmente melhor preparado para a presidência comparado com aquela triste figura de 1995, derrotado por Jorge Sampaio, que demorou horas a sair do seu gabinete e cumprimentar o vencedor, tal como na altura da primeira guerra do Golfo, quando se refugiu num bunker nas entranhas da terra debaixo de Lisboa, pronto para o Armageddon. Só faltava perguntar ao Saddam se era zangado com Portugal também.

Aníbal Silva com certeza já saberá quantos cânticos têm os Lusíadas, já saberá comer em público, já saberá começar com os talheres de fora e acabar a refeição com os de dentro. Esperemos que saiba já dizer algo quando vai a uma reunião, pois ser presidente tem tudo a ver com isso e esperemos que saiba desenhar a bandeira de Portugal, seu país.

A campanha dos adversários de Aníbal Silva tem sido atacada por alguns porque passam algum tempo a atacar o primeiro. Não é verdade. Têm estado a defender seu próprio espaço (Mário Soares e Manuel Alegre dentro do espaço PS, Jerónimo de Sousa  PCP/CDU, Francisco Louçã  Bloco de Esquerda e António Garcia Pereira  Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses) mas também tiveram de dedicar algum tempo ao Aníbal Silva porque o próprio, com medo de ser apanhado com as calças na mão, se recusa a falar. Sabe que quando abre a boca, estraga tudo. É o caso de uma absurda candidatura de um homem que tem medo de falar e espera passar o teste por não fazer erros.

Por isso evidentemente que alguém tem de falar de Aníbal Silva para que o eleitorado saiba quem é e o que representa. Para saber isso, basta falar com qualquer pessoa com memória activa que tenha tido a sua vida atingida pela mancha de Cavaquismo entre 1985 e 1995.

Aníbal Silva era então Primeiro Ministro, depois de ter sido antes Ministro das Finanças (mas teima em dizer que não é político, esse que anda na vida política em Portugal há quase trinta anos, então é o quê?) e durante esse período deu umas provas claras sobre quem é.

É um mito que Aníbal Silva é um economista competente. É medíocre. Foi primeiro ministro numa altura em que o dinheiro jorrava pelas fronteiras dentro e na época imediatamente após a adesão de Portugal à Comunidade Europeia. Preparou o país para esse desafio? Não, não foi capaz. Os males económicos de Portugal têm seu raiz nos anos em que Aníbal Silva dirigia a economia portuguesa.

É um mito que Aníbal Silva é bom dirigente. Tão bom foi, que teve de fugir do seu partido no final do seu mandato. O PSD era então um caos, era o partido mais odiado em Portugal e deixou-o em queda livre.

É um mito que Aníbal Silva sabe dirigir equipas e que está a vontade entre as pessoas. Até a imprensa estrangeira na altura em que era primeiro ministro o descrevia como ríspido e espinhoso, o seu grupo no parlamento europeu foi descrito como uma cambada de mafiosos por um MEP inglês e ele era conhecido como aquele que entrava mudo nas reuniões internacionais e saia calado.

Em fim, o candidato Cavaco Silva é um mito. Nem usa o seu próprio nome, nem é competente como economista, não sabe dirigir instituições, politicamente e um falhado, anda na política há trinta anos e depois diz que não é político. Afinal, o candidato Aníbal Silva é um homem qualquer que pensa que vai brincar com os interesses do país como andou a brincar durante dez anos duma vergonhosa legado em que levou o tecido social de Portugal à beira da ruptura e criou todas as bases durante a década após a adesão de Portugal à CE para deixar Portugal no lamentável estado em que está.

E mais uma coisa. Quem começou a mania dos primeiros ministros fugirem do seu lugar foi ele.

O candidato Cavaco Silva não tem quaisquer qualidades pessoais, nem o perfil, para ser bom presidente de Portugal, como se verá muito cedo se porventura for eleito.

 01:26 2006-01-11
Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

extraido de :
http://port.pravda.ru/portugal/2006/01/11/9699.html
 

A Bandeira Vermelha editou às 15:44

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Domingo, 1 de Janeiro de 2006

- Votos de um ano melhor...


Jerónimo de Sousa
Mensagem de Ano Novo por um Mundo melhor, de Paz e Progresso
Lisboa, 1 de Janeiro de 2006



No início deste novo ano desejo transmitir aos trabalhadores, ao povo português e, naturalmente, aos militantes do PCP e aos apoiantes da minha candidatura à Presidência da República, uma renovada mensagem de esperança e de confiança.

Uma esperança que não repousa no atentismo, que não delega, pelo contrário resulta, das capacidades e responsabilidades que, cada um individualmente e todos como um colectivo feito povo, temos na transformação do país e do mundo em que vivemos.

Uma esperança que não ficando à espera e transformando-se em acção, trabalho e luta tem na minha candidatura um colectivo de mulheres, homens e jovens determinados em levar por diante a colossal tarefa de fazer dessa esperança e do sonho colectivo a nossa realidade e a vida do nosso povo.

Uma mensagem de esperança, de determinação e de confiança que não esquece, pelo contrário nasce e parte da realidade do país e do mundo em que vivemos e que, para alguns, é cada vez mais difícil de enfrentar pois é resultado da sua acção, das suas políticas e ideologias.

No começo de mais um ano, deste início do Século XXI, o mundo em que vivemos é cada vez mais marcado por uma profunda e violenta contradição entre o potencial de desenvolvimento encerrado nas capacidades humanas, sociais, científicas e técnicas da humanidade e a incapacidade do sistema em resolver as mais profundas e gritantes desigualdades, em erradicar, ou no mínimo diminuir, a amplitude de fenómenos que configuram uma autêntica catástrofe social que empurra para as fronteiras entre a subsistência e a morte imensas massas da população mundial.

Assinala-se neste período um ano sobre a terrível catástrofe que assolou no início de 2005 vários povos do continente asiático, o chamado Tsunami. Os media assinalaram justamente o sofrimento de então e a luta actual daqueles que ainda não refizeram a sua igualmente justo e necessário relembrar (e cito, de 2005, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) que a cada 3 segundos desta minha declaração morre uma criança no mundo por razões evitáveis o que, a título de curiosidade, e à escala do tsunami asiático, corresponderia a termos assistido este ano a 36 fenómenos equivalentes. É justo e necessário relembrar os mais de dois mil e quinhentos milhões de seres humanos que sobrevivem com menos dois dólares por dia; os mil milhões de pessoas que não têm acesso a água potável; os dois mil e seiscentos milhões de homens, mulheres e crianças que não têm acesso a saneamento básico, os dois milhões de portugueses que vivem na pobreza; ou ainda os 115 milhões de crianças que por não terem acesso à educação básica serão possivelmente condenados à pobreza e à exploração. É um autêntico dilúvio social que inunda de morte e pobreza países asiáticos, africanos e latino-americanos e as camadas mais pobres da população em todo o mundo. Mas esta catástrofe não é inevitável, não é imprevisível. Pelo contrário é fruto de políticas que aplicam os dogmas da globalização capitalista e a ideologia assente na exploração e na injusta distribuição da riqueza mundial, expressa de forma elucidativa no facto de 40% da população mundial deter apenas 5% dos rendimentos mundiais ou de os 500 homens mais ricos do mundo deterem hoje rendimentos equivalentes aos de 416 milhões de pessoas. Só em Portugal os 10% mais ricos dispõem de 30% do rendimento nacional, enquanto que os 10% mais pobres dispõem de apenas 2% desse mesmo rendimento.

Ideologia, políticas e políticos que confrontados com os limites do sistema capitalista, ensaiam respostas de força às crescentes contradições e prováveis explosões sociais. Respostas essas assentes na guerra, na militarização das relações internacionais e na adopção de medidas que sustentadas num falso combate ao real problema do terrorismo, apostam numa deriva securitária que empurrando os povos para uma falsa dicotomia entre liberdade e segurança tenciona condicionar e mesmo criminalizar todos aqueles que usando da liberdade e dos direitos e garantias conquistados com décadas de lutas sociais libertadoras exigem e lutam hoje por uma ruptura com este sistema retrógrado e com estas políticas.

Mas aqueles que, em nome da democracia e da segurança colectiva, prosseguem tais políticas são os mesmo que já não conseguem esconder a sua face antidemocrática, militarista e mesmo obscura. São os mesmos que não conseguem explicar porque na sequência da chamada guerra contra o terrorismo o mundo está hoje mais inseguro, mais perigoso, mais injusto. São os mesmos que não podem, ou não querem, explicar porque por cada dólar gasto em ajuda ao desenvolvimento são gastos 10 dólares em despesas militares.

O ano que agora finda foi profícuo em provas de que aqueles que sempre lutaram em Portugal e em todo o mundo contra a guerra e o militarismo tinham razão e que aqueles que em Portugal e no Mundo colaboraram e apoiaram a guerra estão hoje derrotados, ética e politicamente, e a braços com embaraços e desculpas de mau pagador. Àqueles que hoje, na Europa e também em Portugal, sacam da cartola o reaccionarismo para desviar as atenções das conivências e apoios, àqueles que sobrevoam o globo com prisioneiros transportados para centros de tortura e bombardeiam civis no Iraque com napalm e fósforo branco, ou ainda que fecham os olhos ou apoiam as atrocidades contra povos como o Palestiniano ou o povo Saharaui. A esses apenas dizemos que a realidade está a provar o lado em que cada um está. Com muita serenidade combateremos firmemente os ataques que a nós são dirigidos, porque esses são combates que ao longo da história sempre soubemos travar ao lado daqueles que mais sofrem com a exploração e a guerra e que, nos mais diversos movimentos sociais, prosseguem a luta por um outro Portugal democrático e soberano, de justiça social e por outro mundo possível de paz e progresso para todos os povos.

Nas próximas eleições de 22 de Janeiro os trabalhadores e povo português serão também chamados a fazer esta escolha. A escolha entre aqueles que falando de democracia apostam na restrição das liberdades, direitos e garantias e aqueles que vêm na liberdade, na solidariedade e na justiça social os eixos centrais da resolução dos conflitos e dos principais problemas da humanidade. A escolha entre aqueles que em Portugal apostam na guerra, no militarismo, na submissão do nosso país aos interesses das grandes potências e no fortalecimento ou criação de bloco político-militares e aqueles que respeitando e defendendo a letra e o espírito do grande pacto nacional que é a nossa Constituição defendem para Portugal uma política externa independente dos interesses imperialistas que busque uma nova ordem mundial assente na paz, na cooperação, no progresso, na preservação do planeta em que vivemos, com a infinita riqueza e diversidade das suas faces natural e humana. Uma política de relações internacionais do nosso país que defendendo a soberania e a independência da nossa pátria contribua para a dissolução de obsoletos blocos político-militares e contrarie a tendência de transformação da Europa numa nova potência imperialista armada que em articulação com os EUA visa prosseguir uma política de exploração dos povos do mundo e a adopção de medidas que configuram autênticas regressões civilizacionais e democráticas.

E a situação no continente em que o nosso país se insere demonstra bem como vale a pena lutar. O ano de 2005 ficará marcado para a história como o ano em que os povos da Europa travaram o passo à tentativa de institucionalização do neoliberalismo, do federalismo e do militarismo na Europa. Cabe agora ao nosso povo, em cooperação com os demais povos da Europa, prosseguir a luta contra a tentativa em curso de por via da política de factos consumados instituir aquilo que foi derrotado nas urnas, e de avançar na batalha por um outro rumo para a União Europeia que exige primeiro que tudo uma ruptura com os dogmas que presidem à actual chamada construção europeia.

Brecht escreveu que nada seja tido por natural neste tempo de confusão sangrenta, de desordem ordenada, de arbitrariedade sistematizada, de humanidade desumanizada, para que nada disto se mantenha.

Os desafios colocados hoje aos trabalhadores e povos do mundo são grandes e de grande responsabilidade. A história prova que a ideologia e as políticas dominantes não são inevitáveis. Por não o serem são hoje alvo de uma tenaz luta por parte daqueles que não perdem a esperança e seguem determinados os trilhos da paz e do desenvolvimento solidário e sustentável. São hoje mais visíveis os exemplos de que há saídas para a actual situação e de que apesar das dificuldades e do enorme esforço colectivo que será necessário fazer para inverter as actuais tendências negativas é possível avançar rumo a mundo mais justo, mais fraterno, democrático e de paz.

Como referi no compromisso da minha candidatura alguns dos que têm lutado pela transformação do mundo utilizam a palavra utopia. Literalmente, essa palavra significa algo que não tem lugar nem tempo. Não é essa a nossa concepção. Temos um lugar e um tempo. Somos profundamente deste país, e somos do planeta que partilhamos com toda a humanidade. Somos do tempo presente, e somos, com os homens, mulheres e jovens do povo a que pertencemos, parte integrante do futuro. É em nome deste lugar e da esperança e da luta por esse futuro que fazemos o nosso caminho comum.

Tenho grande confiança na capacidade dos povos de tomar nas suas mãos a construção do presente e do futuro da humanidade. É por isso que, apesar das dificuldades, com muita esperança desejo a todos um Ano Novo melhor.

extraído da página do Partido Comunista Português

A Bandeira Vermelha editou às 23:14

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